sexta-feira, 1 de julho de 2016

Aposentado alienado



Simétrico e anual itinerário
Glorificado em oração dominical
Respeito ao estuprador horário
Açoitando sua paz matinal
 
Anos de obediência servil
Ouvindo um escárnio gerencial
Mantendo a fronte varonil
E a alma com tristeza torrencial
 
Duelando com o tempo ainda amigo
Insistindo no terror do excesso
Temendo chegar ao jazigo
E não ser lembrado pelo sucesso
 
Enfim, a morte o dispensou da lida
E o seu império finalmente desfrutado
Pela viúva esposa, exalando o odor da vida
Ao pagar os préstimos do jovem namorado!








8 comentários:

Fábio Murilo disse...

É... Dizer o que? Tragicômico. Abraços.

Sara com Cafe disse...

Abraço profundo... e nossa busca por ficar bem, independente de olhar para onde.

Samara Oliveira disse...

Sem palavras
Adorei o caminhar pelas tuas linhas
Abraço

© Piedade Araújo Sol disse...

muito forte...

boa semana.

beijinho amigo

:)

Diana Lestan disse...

Poeta Evandro...

Lindo e profundo poema, sentiu-o como um escravo em vida, colhendo as migalhas (o reconhecimento, o agradecimento, um acenar a cada linha/episódio da vida), jogadas pelo tempo e como tal, a morte, trouxe o refrigério, findou-se a agonia na alma, que ao mesmo tempo, exasperava e alimentava.

Um grande abraço e ótima semana...

Zilani Célia disse...

OI EVANDRO!
A CRUEZA DA VIDA, PARA QUEM PENSA QUE É ETERNO E NÃO SE DÁ CONTA QUE "VIVER É PRECISO".
PRECIOSO TEU TEXTO.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Fê blue bird disse...

Um desalento viver e morrer desta maneira.
Contundente este seu poema.

Um beijinho

AgriDoce disse...

Infelizmente a realidade de muitos...

Beijo.