quarta-feira, 1 de junho de 2016

Vermes





Civilização austera em arrogância

Semeada em campos ciumentos

Colhendo flores de hipócrita fragrância

Poluindo o céu com seus espinhosos ventos

 

A decepção é perpétua e profunda

Germinada nessa urbana selva taciturna

Com tristeza nos rasga e inunda

De escuridão em aprisionada furna

 

Quero livrar-me dos répteis indesejáveis

Alegrados por fartos risos irônicos

Vermes destilando venenos lamentáveis

E servindo-me em prantos agônicos

 

Não acariciem minha humilde pessoa

Em suas convenções corrompidas

A minha paz tortura-se e voa

Com ensangüentadas asas feridas

 

E no aguardado momento derradeiro

Não ousem rodear minha sepultura

Deixem-me sair calmo e por inteiro

Deste orbe de amizades impuras

14 comentários:

Diana Lestan disse...

Evandro, belíssimo texto, fala profundamente: "Vermes destilando venenos lamentáveis /E servindo-me em prantos agônicos", faz-nos pensar que por vezes, somos nós que alimentamos os tais vermes, dando-lhes o próprio veneno que nos envenena... Uma ótima semana, abraço.

Samara Oliveira disse...

Bom dia Evandro
Passei para agradecer a visita em meu blog e acabei ficando por aqui :)
Lindo texto e belas palavras... dança profunda.
Abraço carinhoso

Anderson Lopes disse...

Infelizmente ainda não há veneno contra os vermes. Mas há de chegar o dia!
As palavras em sua poesia são usadas com inteligência ímpar!

Grande abraço!!

Franciéle Romero Machado disse...

Ter maturidade para saber ver os enganos que as pessoas trazem, tudo vira um mar de mentiras e falsidade. Isso dói, pois às vezes nos enganamos tão fácil com as pessoas e quando vemos estamos em desalento, de certa forma por nós mesmos. Por isso melhor preservar a qualidade das amizades do que uma quantidade maior e cheia de pessoas enganosas.

Interessante o ponto de vista do seu poema, o toque áspero e mórbido que tuas palavras nos conduzem. Muito bom!

Sucesso poeta e continue trazendo cada vez poemas mais supreendentes :D
Abraço

Sara com Cafe disse...

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa o mundo!

© Piedade Araújo Sol disse...

interessante...há pessoas que são isso mesmo.
muito forte.
quase um grito.
e alguma mágoa.
beijo
:)

Sara com Cafe disse...

abraço e lindo final de semana!

AgriDoce disse...

É preciso escolher bem as amizades, pois há vermes por todos os lados.

Beijo.

Fábio Murilo disse...

Excelente poema, amigo. Faz medo. Lembrou-me Augusto do Anjos o verso forte e desencantado. Abraços.

Fê blue bird disse...

Tanto desencanto e mágoa de alguém que vê a vida e os que a rodeiam com um sentido crítico muito apurado.

Um beijinho

Zilani Célia disse...

OI EVANDRO!
E SÃO VERMES, ALGUMAS PESSOAS QUE NOS RODEIAM, EMBORA SEJA UMA CONSTATAÇÃO BEM DOLORIDA MAS, NECESSÁRIA.
CONTUNDENTE, COMO O É, TEU TALENTO.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

ॐ Shirley ॐ disse...

Palavras decididas fizeram esse poema forte e contundente. Mas,caro amigo, esteja certo, você não vai se livrar tão cedo, desses vermes indesejáveis. Outros ainda virão...
Evandro, um enorme abraço!

Rodrigo Moura disse...

Depois de um tempinho de sumiço
estou de volta, amigo Evandro.
Chego aqui e me deparo com mais
uma obra excelente escrita por
ti. Parabéns, um forte abraço!!!

Janaina Cruz disse...

Tua sapiência associada a belezura de teus versos, deixam até mais bela a flor da sociedade...