domingo, 1 de maio de 2016

Encenação


Fulgurantes gladiadores modernos
Empunhando suas armas de papel
Clamando uma imaculada proteção ao céu
Para não amassar o nobre linho de seus ternos

Seus patrióticos lábios destilam fel
Hipócritas frases dançam ao vento
Faces tristes ornadas de lamento
Seduzindo a turba tal galanteador menestrel

Apontam o límpido caminho certeiro
Em suas circenses performances venenosas
Impõem-se em rústicas parábolas asquerosas
Da bíblia do diabo, glorificada de janeiro a janeiro

Egoístas seres que ferem o arco-íris e o empalidece
Sombrios assassinos dos amanheceres alheios
Calem-se! Devolvam-nos o sorriso de nossos devaneios
E o dócil silêncio, nossa ditosa e bendita prece!