sexta-feira, 1 de abril de 2016

Apenas mais um dia...


A pólvora cotidiana acendeu o estopim humano
O sol está arrefecido
e sua orquestra de raios ferida
A lua derrama lágrimas estelares
em céu de rugas cinzentas

O homem rasga seus trapos de sonhos
e veste um paletó de linho mesquinho
ornado por gravata de opaca elegância

Uma visão rústica fere as pupilas dilaceradas
pela brisa que embarca em uma arca sem fé
uma tripulação de rastejantes
fantoches brancos e negros

Uivos internos ecoam
pelas veias saltitantes
silenciando as bocas imóveis e pintadas
com os batons da opressão

O caminho é esburacado
e deve existir no final um troféu

O pranto nos hipnotiza
em mórbidas expectativas ao partir
atreladas em angelicais e satânicas tentativas
de encontrar o poetar metrificado
do santificado sorrir...