domingo, 1 de novembro de 2015

Despedida


Pálpebras fechadas em sublime delicadeza
Desprezando os acordes indesejáveis da rua
Hibernando em devaneio de rara pureza
Abortando a sanguinária realidade nua e crua

Viajando em nuvens serenas e alvacentas
Irrompendo em melodia limpa e imaculada
Observa do alto as vis ruas cinzentas
E o rosto desolador da fé estuprada

O vento guiando seu calmo roteiro
As lembranças pairando em sua alma
Uma passagem ornada de adorável cheiro
E uma sensação de inusitada calma

Chegando ao insólito destino
Passou as mãos sobre o peito furado
E indefeso como um tênue menino
Derramou o pranto lento e desesperado

Tentou voltar, mas não conseguiu
O espírito sucumbiu à ação perdida
Calado, só pôde ver a turba que seguiu
Seu corpo se despedindo da mundana vida!

8 comentários:

ॐ Shirley ॐ disse...

A derradeira hora da Grande Viagem...
Você sabe retratar a realidade, Evandro.
Beijos!!!

Zilani Célia disse...

OI EVANDRO!
A VIAGEM INEVITÁVEL, CUJO DESTINO TODOS SABEMOS, EM TEUS VERSOS MOSTRADA DE FORMA POÉTICA E COM TUA MARCA.
ABRÇS
-http://zilanicelia.blogspot.com.br/

sub helena disse...

Evandro,

Palavras profundas, és uma experiência da qual, não poderemos evitar... Quando chegar a derradeira hora, quero olhar para vida e sentir que consegui cada gota, cada gosto, que vi e vive meus desejos e independentes dos erros e acertos, eu aconteci em mim... Quero assim, minha derradeira palavra, hora, lágrima, suspiro findo...
Lindo poema, parabéns, que tenhamos uma ótima semana, beijo.

Salete disse...

Acho que nunca estaremos preparados para morrer...

Belo poema, Evandro.Gostei muito.

Beijo.

© Piedade Araújo Sol disse...

a viagem sem retorno, acho que nunca, ninguém está preparado, mesmo os que dizem que sim.

melancólico mas com alguma serenidade.

bom final de semana.

beijo

:)

Daniele Negreiros disse...

Pura leveza...

Desa disse...

Até a morte tem sua beleza. Muito bom!

ॐ Shirley ॐ disse...

Evandro, reli o seu belo poema
e deixei um abraço pra você...