domingo, 1 de novembro de 2015

Despedida


Pálpebras fechadas em sublime delicadeza
Desprezando os acordes indesejáveis da rua
Hibernando em devaneio de rara pureza
Abortando a sanguinária realidade nua e crua

Viajando em nuvens serenas e alvacentas
Irrompendo em melodia limpa e imaculada
Observa do alto as vis ruas cinzentas
E o rosto desolador da fé estuprada

O vento guiando seu calmo roteiro
As lembranças pairando em sua alma
Uma passagem ornada de adorável cheiro
E uma sensação de inusitada calma

Chegando ao insólito destino
Passou as mãos sobre o peito furado
E indefeso como um tênue menino
Derramou o pranto lento e desesperado

Tentou voltar, mas não conseguiu
O espírito sucumbiu à ação perdida
Calado, só pôde ver a turba que seguiu
Seu corpo se despedindo da mundana vida!