terça-feira, 1 de setembro de 2015

O ofício


Vocábulos e surreais fantasias
Pingam azuis em virgem rascunho
Mesclando tristezas e alegrias
À inquietude sórdida de meu punho

Sílabas de sangue, consoantes pacíficas
Céu de brigadeiro, luares radiantes
Trincheiras mentais, guerras específicas
Frases fulgurantes em linhas saltitantes

O grito sufocado, a tragédia exaltada
Desertos solitários em vertentes de dor
O âmago inóspito da beleza desbravada
A alquimia intrigante do tenro amor

A noite, fico a observar um precipício
Flertando e interrogando a tênue vida
Tentando entender a maldição desse ofício
O qual me deixa inerte, sem solidária acolhida