quarta-feira, 1 de abril de 2015

Ode a Baudelaire



Voava lépido e intrépido tal imaculado albatroz
Sulcando as alegrias do sol e tristezas da lua
Destilando o sonho de um curioso em obsessão atroz
Por suas mulheres malditas em viagem ébria e nua

Engolia o vinho dos amantes em um crepúsculo matinal
O relógio inimigo lhe trouxe a alquimia da dor
A varanda e o cachimbo se entrelaçaram
na confissão de sua aurora espiritual
De estar solitário neste abismo incolor

O salão de sua alma foi acometido 
por um canto de outono
A música derradeira soou como veneno para seus ouvidos
A paisagem avistada foi uma gravura fantástica
que lhe mostrou o trono
Da benção ao rebelde concedido

Agora parte, guiado pelos faróis mágicos da eternidade
Vampiro ávido por fonte de sangue consoante e vogal
Velejando na harmonia da tarde 
sem as nódoas da insanidade
Acariciado pela poesia, a voz erótica de sua bela nau