domingo, 1 de março de 2015

Estou farto


Estou farto de enterrar meus amigos
Estou farto de ligações inoportunas
e sair sofrendo
para as tristes despedidas noturnas
transformando meus ombros
em ineficientes abrigos

Estou farto de consolar pais, viúvas e irmãos
com aquelas velhas palavras ensaiadas
Fazer o sinal da cruz ao tocar as geladas mãos
dos meus companheiros em longas jornadas

Estou farto em observar flores de amargo odor
enfeitando salas brancas
com suas coloridas cores
conduzindo ao castelo da lembrança
mais um dos novos moradores
Ao fundo o pranto da revolta
fazendo a escolta com a melodia da dor

Estou farto das carreatas
que não representam vitória
e no último adeus interrompendo
parte de minha história
Histórias vividas em conversas de bares
e loucas viagens
terminando em frios jazigos

Como estou farto
de enterrar meus queridos amigos