domingo, 1 de fevereiro de 2015

Fera que sangra


O poeta afronta a mórbida monotonia
Mostra sua fronte angustiada
em vigilância perturbadora
À turba pútrida em inteligência,
ele se levanta e a desafia
Irrompendo a nociva calmaria
com a romaria de sua verve usurpadora

Ecoa pelo vento sua santa maldição
Sulca pelas nuvens um louvor fantasioso
Toca as estrelas com seu febril coração
E do céu banha a terra com um rito auspicioso

Anjo demoníaco,
ultrapassa as autovias do universo
Enxerga com a vidência desregrada
de um olhar incandescente
Derrama um pranto ora vil, ora jubiloso,
em cântico disperso
Solitário soldado cindido
pelas batalhas da caótica mente

Fala com as mãos trêmulas
em performáticos gestos
Clama uma piedosa atenção
aos pensamentos ofertados
Tenta persuadir os que teimam em não ouvir
seus sonhadores manifestos
Rasgando a torpe futilidade
de seus tímpanos embriagados

Errante atemporal, ainda brilha
com suas iluminações puras
Luta com a escuridão suprema
que insiste na vida perdurar
Germinando palavras e colhendo frases
em campos de utópicas aventuras
Fera que sangra,
mas não esmorece,
em seu desafiador caminhar

10 comentários:

Fábio Murilo disse...

Perfeitíssima definição do poeta, esse ser que sente todas as dores do mundo, que detecta a mais ínfimas partículas, que entende o caos primordial, e de dissolve na existência como o sal no mar.

© Piedade Araújo Sol disse...

forte e desassossegado.
Uma boa semana.
Beijinho
:)

Evanir disse...

Meu amigo como é bom voltar a seu blog após esse momento de afastamento.
Mas, com coragem tenho fé de vencer
minha luta.
Nada é em vão nessa vida..
Lindo poema amigo querido.
Uma feliz e abençoada semana beijos.
Evanir..

Zilani Célia disse...

OI EVANDRO!
ASSIM É O POETA,CONSEGUE NOS SURPREENDER SEMPRE.
PARABÉNS.
ABRÇS

http://zilanicelia.blogspot.com.br/

sub helena disse...

Ah! Evandro, duro ofício o do poeta, solitário soldado, de mãos trêmulas, sangrando... Mas creio que ele tenha um olhar que eleva, que transfigura, que acalma e deflagra a alma, a nossa alma...
Texto lindo, sucesso e que tenhamos uma ótima semana. Beijo.

Renato Oliveira disse...

Belíssimo escrito! Ao lê-lo, sempre me chama a atenção a escolha das palavras, sempre bem colocadas. Acredito que esse trecho seja uma descrição do poeta: "Solitário soldado cindido / pelas batalhas da caótica mente" achei psicanalítica!


--
Eu sou formado em Psicologia, e "caí" na psicanálise desde o primeiro ano do curso, como paixão e lifestyle haha.

José María Souza Costa disse...


Olá,
Passei para lhe desejar, um dia de domingo agradável, e um tempo de Carnaval extraordinário.
Um abraço.

ॐ Shirley ॐ disse...

Que o poeta nunca esmoreça em seu caminhar e continue deflagrando seu preciosos manifestos...
Gostei muito, Evandro!
Beijos!

Franciéle Romero Machado disse...

Essa comparação de como é um ser poeta ficou genial.Pois tudo aí descrito justamente é algo que pode ser sentido pelas almas sensíveis. Ao mesmo tempo que se coloca como fera em ser como se quer, desbravando caminhos da vida tem o risco de se ferir por ser ao mesmo tempo um ser frágil.
Já me senti várias vezes assim, temperamental, melancólica e me perguntava qual era o sentido, quem sabe justamente esse. Hoje já não sangro tanto quanto antes, questão de costume talvez. Só esses versos me fizeram refletir...

Abraços poeta e uma ótima tarde. Sucesso e muitos, muitos versos. Inspiração não lhe falta!

Anderson Lopes disse...

O poeta é um guerreiro com a palavra em punho! Você maneja a palavra como ninguém, Evandro!

Abraço