sábado, 1 de novembro de 2014

O gato


O gato escala o muro

e do alto zomba do escuro

Mas fica com o rabo duro e arrepiado

quando se sente inseguro ou desafiado


O gato não teme seu destino

enfrenta-o com peraltices dignas de um menino

Sai procurando as orgias da madrugada

e volta pela manhã com a cara toda arranhada


O gato hipnotiza o pássaro do vizinho

e dá o bote certeiro no amarelo anjinho

Fica com a boca cheia de penas

e as lacunas do estômago satisfeitas e amenas


O gato dorme no quintal largado como um moribundo

e quando desperta espreguiça toda a preguiça do mundo

Rebola e se estica pedindo atenção

Assusta todos na casa quando se enfia nos desvãos


O gato com seus olhos cínicos investiga a humanidade

e desvenda os caminhos tortuosos da cidade

Não se importa com as dificuldades e seus tamanhos

Quando se cansa, pára e descansa

à sombra das casas de alguns estranhos


E nesta saga de vagabundo libertino

lambendo o próprio rabo seja noite ou seja dia

prossegue o nosso heróico e charmoso felino


venerando a nobreza dessa “difícil” vida vadia

16 comentários:

Franciéle Romero Machado disse...

Assim que vi o título do poema já entrei na página para ler, pois os gatos me encantam de um jeito especial, aqui em casa no momento tenho dois.
Conseguiste descrever as aventuras, hábitos, modos desses felinos de um jeito incomum.Todas as ações que o gato tem e são características próprias dele, algo que os outros animais não são. Belos versos e temática incomum, mas interessante para se ler.

Abraços poeta, um bom sábado!
Sucesso e poesia!

Lua(ra) disse...

"venerando a nobreza dessa 'difícil' vida vadia"

E a gente cá nesta vidinha medíocre.
Quanta inveja do felino!

ॐ Shirley ॐ disse...

Os gatos são indolentes e folgados...
Amo-os!
Evandro, gostei do poema, beijos!

Evanir disse...

Amigo eu amo animais tinha uma linda gata ficou comigo vinte anos.
Um dia deixaram o portão aberto ela sumiu talvez não tenha sobrevivido.
No longo desses anos nunca saia
quando saiu acredito que não soube voltar.
Gostei do poema acredito que gatas
de gatos.
Feliz Domingo meu amigo.
Abraços.Evanir.

© Piedade Araújo Sol disse...

eu gosto muito desses felinos e o seu poema ficou muito belo alem de bem rimado.
bom fim de semana.
beijinho

:)

Fábio Murilo disse...

Grande olhar de poeta, que rastrea o mundo, os detalhes, as minimas coisas.

Zilani Célia disse...

OI EVANDRO!
DESCREVES COM MAESTRIA OS FELINOS E SUA INVEJÁVEL LIBERDADE E HÁBITOS NATURAIS.
MUITO LEGAL TEU POEMA.
ABRÇS

http://zilanicelia.blogspot.com.br/

sub helena disse...

Evandro, que inveja "desta saga de vagabundo libertino..." Lindo texto, uma visão perfeitamente poética deste universo felino. Aplausos e uma boa semana, beijo.

Fê blue bird disse...

Só quem conhece bem estes nossos amigos felinos pode escrever tão bem assim.
ADOREI tal como adoro gatos! :)

beijinho

José María Souza Costa disse...

Olá, Evandro
Bom tudo para nós.
O que trazemos na memória, da velha infância ?
Também, não sei.
Portanto estou cá, para desejar um dia agradável, refletindo que, a maior obra do Criador, é você.
Um abraço.

Marli Terezinha Andrucho Boldori disse...

Bom dia, Evandro com que perfeição você poetou sobre o famosos gato. Tenho uma gata em casa e, é exatamente assim que age. Porém nada mais belo que ouvir o ronronar da bichinha quando quer carinho. Belíssimo poema. Tenha um lindo domingo. Grande abraço!

Renato Oliveira disse...

Que poesia esplêndida! Uma pena não ser possível dar representação às imagens que vem a cabeça lendo esse post. Nunca as vivências de um gato me pareceram tão curiosas e notáveis de serem observadas.

Um abraço! Boa semana!

Dani disse...

Sua poesia me lembrou de Chico.
"Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres."

Daniele Negreiros disse...

Uau!
Mas que belo poema...
Me vi nele.

Abraço!

Cibele de Carvalho disse...

Olá.

Apenas hoje, vi o comentário que fez em meu blog, estava para moderação. Muito obrigada :) Eu criei o blog sem nenhuma pretenção, só escrevo algo de tempos em tempos, por isso faz tempo não entrava lá, desculpe.

Você escreve grandes coisas.

Abraços.

Rodrigo Moura disse...

Belo poema sobre o universo felino, Evandro.
Bom humor e ironia mesclam-se com os detalhes
que somente um poeta observador poderia colocá-los em versos.
Brilhante, parabéns!