sábado, 1 de novembro de 2014

O gato


O gato escala o muro

e do alto zomba do escuro

Mas fica com o rabo duro e arrepiado

quando se sente inseguro ou desafiado


O gato não teme seu destino

enfrenta-o com peraltices dignas de um menino

Sai procurando as orgias da madrugada

e volta pela manhã com a cara toda arranhada


O gato hipnotiza o pássaro do vizinho

e dá o bote certeiro no amarelo anjinho

Fica com a boca cheia de penas

e as lacunas do estômago satisfeitas e amenas


O gato dorme no quintal largado como um moribundo

e quando desperta espreguiça toda a preguiça do mundo

Rebola e se estica pedindo atenção

Assusta todos na casa quando se enfia nos desvãos


O gato com seus olhos cínicos investiga a humanidade

e desvenda os caminhos tortuosos da cidade

Não se importa com as dificuldades e seus tamanhos

Quando se cansa, pára e descansa

à sombra das casas de alguns estranhos


E nesta saga de vagabundo libertino

lambendo o próprio rabo seja noite ou seja dia

prossegue o nosso heróico e charmoso felino


venerando a nobreza dessa “difícil” vida vadia