quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Dezesseis anos


Flutuávamos nas calçadas sobre nuvens de pedras

Leis e cartilhas eram luzes escuras ofuscadas pelo esplendor

de nossos intrépidos corações     

Rompíamos uma hermética trilha

 atrozes e famintos tão qual uma determinada matilha


Éramos jovens,

nascidos do ventre da impetuosidade

Militares de uma desarmada batalha

travada pelos campos das livres novidades


Desbravávamos ponto a ponto

da abandonada e velha cidade

namorando o dia e casando com a noite

Risos fartos

Cavalheiros semeando história

Bolsos vazios de dinheiro

Bolsos cheios de sonhos

Religiosos do deleite

Sextas e sábados regiam a santa glória


E das belas donzelas

roubávamos beijos mágicos

E das bebidas e alucinógenos

comprávamos destinos trágicos

E agora inerte neste jardim

após rebobinar o roteiro do filme de minha vida

neste momento precedendo o fim

entre um capítulo límpido de acertos

e pútrido de enganos

como sinto saudades


dos meus dezesseis anos!

9 comentários:

sub helena disse...

Evandro,
Doces lembranças da juventude, dos sonhos inocentes, dos planos e ideais inconsequentes... Somos consumidos pelos dias,por nossas experiências, devorados pelo tempo ou pela falta dele.
Mas mesmo que pareçamos inertes nesses jardins, creia, meu amigo, ainda temos a capacidade de florescer...
Lindo texto, me fez ter singelas lembranças. Um beijo.

Franciéle Romero Machado disse...

Tantas coisas a dizer, quando percebemos a memória remetendo a várias lembranças. Não sei dizer, mas existe algo no passado que é sempre interessante de voltar e perceber como as coisas mudam, até o mais simples muda completamente. Belo poema, cercado de memórias e escrito perfeitamente com as linhas que o tempo deixou e a saudade de algo que passou!

Abraços poeta e tenha uma boa quarta-feira. Ótima escrita!

Fê blue bird disse...

Tantos sonhos que se diluíram no tempo. Como o compreendo.

Beijinho

Fábio Murilo disse...

Comovente!Tocante!

© Piedade Araújo Sol disse...

memórias vivas.

a juventude e nós.

todos de vez em quando sentimos saudades desses tempo (ido).

beijinho

:)

Evanir disse...

Querido Amigo.
Quantas saudades muitas vezes invade nossa alma da nossa juventude distante.
Bom seria se pudéssemos voltar no tempo e apagar certas páginas de nossas vidas, que de verdade em algumas delas faríamos diferente. .
Querido amigo..desejo um abençoado e feliz final de semana abraços.
Evanir.

José María Souza Costa disse...

Olá, bom tudo, para você, Evandro.
Neste dia de sábado, doado-nos graciosamente pelo Criador, estou cá, com o sentimento de amizade, respeito e alegria, à saudar-te.
Viva, o dom da Vida.
Um abraço.

Janaina Cruz disse...

Nossas idade encantadoras, nossos sonhos de que tudo era possível... Mas chega a vida e nos desmarca encontros e tudo fica com sabor de saudades...

Tua poesia é sempre linda!

Daniele Negreiros disse...

Que bonito, Evandro!