quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Dezesseis anos


Flutuávamos nas calçadas sobre nuvens de pedras

Leis e cartilhas eram luzes escuras ofuscadas pelo esplendor

de nossos intrépidos corações     

Rompíamos uma hermética trilha

 atrozes e famintos tão qual uma determinada matilha


Éramos jovens,

nascidos do ventre da impetuosidade

Militares de uma desarmada batalha

travada pelos campos das livres novidades


Desbravávamos ponto a ponto

da abandonada e velha cidade

namorando o dia e casando com a noite

Risos fartos

Cavalheiros semeando história

Bolsos vazios de dinheiro

Bolsos cheios de sonhos

Religiosos do deleite

Sextas e sábados regiam a santa glória


E das belas donzelas

roubávamos beijos mágicos

E das bebidas e alucinógenos

comprávamos destinos trágicos

E agora inerte neste jardim

após rebobinar o roteiro do filme de minha vida

neste momento precedendo o fim

entre um capítulo límpido de acertos

e pútrido de enganos

como sinto saudades


dos meus dezesseis anos!