segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O culto presente


Meu triste eu,
louvando o culto saudoso
que o destino me concedeu...

A verossímil vida que pela inquietude era resumida
Mergulhos mentais que atravessavam correntes abissais
Avenidas pisoteadas pelas santas e boêmias pegadas
Garrafas hipnóticas com suas bocas eróticas
gozando molhados beijos
Prédios descascando a tinta conservadora da história
Psíquico anzol pescando a insanidade nua
Felino desfilando imponente
pelas madrugadas uivantes
Guerreiro em campos inóspitos de tristeza
Aventureiro exalando o eflúvio da vitória
Raio jovial sulcando a redoma de amores impossíveis
Envolto em bares abençoados
por campanários dionisíacos
onde lágrimas doces caíam dos olhos visionários e incendiários
O tempo escravo era estilhaçado
pela alforria embriagada
em um horizonte rubro e alvissareiro
sem a febre inconsciente do dinheiro
A lua colhia românticas paixões
em seus estrelados colchões
O sol rasgava a esperança em leda e amarela dança
Os elevadores da eternidade estacionavam
em andares de sonhos
realizando escalas calóricas
pelas madrugadas de aventuras
Fadas e querubins afagando-se em floridos jardins
Vidraças eram vidraças
e não potenciais de desgraças

Meu triste eu,
no limiar do drama,
chorando o culto presente
que o destino me concedeu...

Moribundo solitário e ferido
no limbo dos fracassados,
reproduzido em espelho sujo
e estilhaçado
Palhaço sem cores
em um circo de horrores
Ruminando lembranças ao meu redor
onde o filme brilhante
que foi estrelado em meu viver
volta apenas em espasmos,
em centelhas,
massageando minhas trêmulas
e cansadas sobrancelhas

que estão prestes a desaparecer...

12 comentários:

© Piedade Araújo Sol disse...

um certo desalento, num poema muito bem construído.

boa semana.

beijinho

:)

Gianna Ferri disse...

Versi amari e tristi, Evandro.

sub helena disse...

Evandro, o que escrever depois de ler um poema lindíssimo como esse? "Meu triste eu... Que o destino me concebeu..." Amigo, ainda bem que as lembranças podem virar recordações e nos podemos fazer a partir delas, mudanças no nosso triste eu... Um abraço, sucesso e uma ótima semana.

Fê blue bird disse...

Um poema intenso de um eu presente, passado e futuro.
Triste e imensamente belo.

beijinho

ॐ Shirley ॐ disse...

Cada verso desse poema, nos mostra sensibilidade, harmonia, conteúdo, perfeição...Nada mais é preciso dizer, Evandro. Belíssimo!
Beijos!

Marli Terezinha Andrucho Boldori disse...

Olá Evandro, para fazer um comentário li e reli seu poema, pois quando a gente lê o poema do outro toma para si, palavras e significados.Seu poema está recheado de metáforas que exalam a triste verdade de nossa existência,mas que também há muitas recordações de seu viver, o que é bom, pois a saudade nos faz reviver. Grande beijo!

Jota Effe Esse disse...

Desejo que esse pessimismo já tenha chegado ao fim, e que desponte um poema de alegria real. Meu abraço.

Zilani Célia disse...

OI EVANDRO!
FUI CORRENDO O MAUSE EM TUA PÁGINA E LENDO VÁRIOS DE TEUS TRABALHOS, DOS QUAIS, MUITOS JÁ HAVIA LIDO.
TUA CARACTERÍSTICA NA ESCRITA É A MELANCOLIA, SENÃO A TRISTEZA E É AÍ QUE ENCONTRAS TUA INSPIRAÇÃO, PARA CONSTRUIR TEXTOS COM A BELEZA DO QUE AQUI LEIO AGORA.
A FUNÇÃO DE QUEM VISITA UM BLOG, NÃO É ARVORAR-SE A ANALISAR O QUE NÃO PODE SÊ-LO, POIS SE NEM O PRÓPRIO POETA PODE FAZÊ-LO, JÁ QUE A ALMA TEM VIDA PRÓPRIA NO MOMENTO DA CRIAÇÃO. PODEMOS APENAS DEIXAR, NOSSA ADMIRAÇÃO E ELOGIOS, PELA BELEZA DO QUE LEMOS.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Daniele Negreiros disse...

Muito tempo sem passar por aqui...
Vejo belas novidades!

abraço.

Rodrigo Moura disse...

Muito bom, Evandro!
Poema forte, intenso, impactante.
Belíssima obra.
Um forte abraço!

Rodrigo Moura disse...

Muito bom, Evandro!
Poema forte, intenso, impactante.
Belíssima obra.
Um forte abraço!

ॐ Shirley ॐ disse...

Belo e profundo poema, Evandro. Não concordo com o palhaço sem cores...nem com cores rs.
Beijos!!!