sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Mais um...


Ruminando capins em pastos melancólicos
Aprisionado em focinheiras hierárquicas
Bebendo no cálice dos sacramentos metódicos
Cordeiro desgarrado das criações anárquicas

Olhar parado, fronte amarelada, peito empoeirado
Coberto por um negro véu enlanguescido
Rastejando tal qual mendigo assombrado
Em seu caminho verdugo de mal-nascido

Servo cômodo sem incômodo pela falta de alento
Faz o sinal da cruz agradecendo a estéril chama de luz
Passa dez horas ao dia celebrando o pífio talento
De ser apenas mais um neste orbe que a todos conduz

E ao envelhecer, em prantos, começa a esmorecer
Enxerga pelo espelho d’alma a centelha de sua mocidade
A rotina arquejante que se prestou a obedecer,
Não lhe permitiu nessa única vida, viver de verdade!