terça-feira, 1 de julho de 2014

O atroz frio

 
O atroz frio lacrimeja
Irrompendo entre brumas e vales
E o seu orvalho solfeja
Uma melodia lúgubre de males
 
Males germinando a saudade
Afilada e bordada em cetim
Trazendo de volta a flor da tenra idade
Que eu regava em venturoso jardim
 
Da vidraça de minh'alma, inerte e aparvalhado
Eu clamava que perdurasse este instante
E a momentânea calma ao coração presenteado
Não fosse furtada em despertar lancinante
 
Mas a prece foi estéril, não atendida
E a porta da sala em mais uma manhã escancarada
O atroz frio lacrimejando e vendo minha vida
Pelas pernas da ínfima rotina, sendo levada...