terça-feira, 1 de abril de 2014

O triste tabuleiro


Olhar espavorido em utópica esperança

Estômago escravo açoitado pela senhora fome

Pequenas mãos rústicas já não são mais de criança

Coração empedernido e enregelado lhe consome

 

Passos a esmo lhe conduzem sem porvir

O sol lhe traz espasmos breves de alegria

Esfarrapada alma perdida na louca equação de ir e vir

Apenas um ponto em um quadro branco ele se sentia

 

Estaciona seus pesadelos e avista o parque da cidade

Ouve os risos fáceis das famílias felizes

Chora ao imaginar o que fez para ser banido nessa idade

Sem resposta recolhe seus momentos infelizes

 

Segue sem glória o soldado em sua guerra abandonada

Revirando o lixo em busca da dignidade ausente

Enquanto no céu, no conforto da mansão enluarada

Um Senhor mexe muitos deles nesse tabuleiro decadente