sábado, 1 de fevereiro de 2014

O adeus



A velha caneta enfim descansou

Seu tubo enfartou e a tinta esfriou

A ponta derramou um ínfimo pranto e se fechou

Às folhas que criava vida, nunca mais rabiscou

 

Ficava de canto na decrépita estante

Outrora sábia e anilada companheira

De minhas mãos recordava o corriqueiro instante

Quando lhe possuía com minha alma por inteira

 

A rotina nos separou, prateada rainha das madrugadas

A amargura do cotidiano me envolveu de covardia

Um lapso escuro enregelou minhas memórias enluaradas

E secou nossas rotas pelos mares da poesia

 

Impotente, hoje não consigo lhe encarar

Estou inserido nesse humilhante e insano mundo

Nem me atrevo a lhe pausadamente acariciar

Estou preso na redoma de meu medo imundo

 

Mais um foi o que consegui me tornar

Lembranças carregarei em meu sofrido peito

Vá em paz, querida amiga! Peço apenas para não me julgar

Já sou torturado toda noite quando na cama deito!

17 comentários:

ᄊム尺goん disse...

[todo poeta tem um motor que enguiça
mas depois se ajeita]


não é??

beijo

Rodrigo Moura disse...

Que poema, caro Evandro!
Oferece várias interpretações.
Denso, plangente, após a leitura
sua atmosfera reverbera
em nosso interior.
Excelente, parabéns!
Um forte abraço.

ॐ Shirley ॐ disse...

Poema forte, muito bonito, de intenso conteúdo nas entrelinhas.Mas, se a caneta não mais existe, querido Evandro, há a possibilidade do lápis, assim é a vida.
Adorei! Beijos!!!

O tempo das maçãs disse...

É mesmo difícil lidar com as frustrações da vida.As vezes temos tudo para dar certo e na hora h, a tinta acaba, as cores vão embora... Depois disso é seguir em frente, pois a vida continua.

Vc não é mais um.Vc é O Poeta.Porque esse poema é fabuloso.Adorei!

Beijinho, Evandro.

Fábio Murilo disse...

Lindo, comovente! Original por sinal.Homenagem mas do que justa, a essa indispensável companheira criadora de mundos, o bisturi do poeta.

Jota Effe Esse disse...

Não desanime, companheiro, pode ocorrer um milagre e a caneta ressurgir! Meu abraço.

POETA CIGANO disse...


Caro amigo e grande poeta Evandro ...!!!

Senti-me honrado com mais uma sua presença Em meu blogue, com o seu carinho de sempre.
Passando para retribuir, deixar o meu abraço e Carinho, desejando-lhe um lindo Domingo e, Maravilhoso final de semana. Que a paz, o amor e A felicidade, sejam constantes em seu coração.
Lindo poema. Um adeus é muito triste e sempre deixa rastros imensuráveis.
Beijos de luz !

POETA CIGANO – 02/02/2014

http://carlosrimolo.blogspot.com
“Poesias do Poeta Cigano”

Zilani Célia disse...

OI EVANDRO!
LINDOS VERSOS!
AINDA MAIS QUE, VIAJEI EM TEUS ESCRITOS POIS, APESAR DO EVENTO DA INTERNET, CONTINUO ESCREVENDO EM MEU CADERNINHO E COM UMA "VELHA" AMIGA CANETA, PARA SÓ DEPOIS USAR O COMPUTADOR.
ABRÇS

http://zilanicelia.blogspot.com.br/

© Piedade Araújo Sol disse...

o meu lema é "não desistir nunca"

por isso não diga adeus a nada e muito menos à caneta.

um beijo grande

:)

Evanir disse...

Bom Dia Amigo.
Com muito carinho agradeço sua presença e comentário no meu blog.
Seu poema de muito bom entendimento
fala sobre tudo que chega ao fim.
A nossa antiga companheira que muitas linhas traçou também chega ao fim como tudo em nossas vidas.
Uma feliz semana abraços,Evanir.

Marli Terezinha Andrucho Boldori disse...

Evandro, sou suspeita a falar,pois adoro poemas.Afirmo que os poetas são mágicos,pois conseguem com as simples letrinhas nos fazer chorar, refletir.....o seu poema nos dá muitas possibilidades de reflexões, análises e leituras.Belo, Belo, Belo. Em meu blog postei uma homenagem a um escritor,meu amigo.
Gostaria de sua visita,pois você como escritor tem muito peso. Grande abraço!
Ah! Faço parte do Top dos blogueiros da Ilha da Lindalva, dê uma chegadinha por lá. Obrigada! Beijo grande!

Fê blue bird disse...

A vida tem destas coisas, convém não desanimar porque a inspiração vai voltar. Acredite!

beijinho

Evanir disse...

Boa Noite Amigo.
Com muito carinho venho desejar
deixar uma abraço desejar um feliz fina de semana receba um beijo na alma.
Evanir.

Louraini Christmann - Lola disse...

Ihhh, o coração do poeta
parece doído.
Mas é isso mesmo que é poetar...

abraço

Antônio LaCarne disse...

evandro, vc sempre tocando fundo no coração da gente.

Franciéle Romero Machado disse...

E quando o peito está demasiadamente cheio de coisas que queremos jogar para fora, falta aquela caneta pôr nas linhas para que enfim da alma aquilo se jogue nas folhas. A sensação que seu poema traz já senti tantas vezes e me questionei tanto, é o medo de perder algo que dá prazer que é escrever.Amei o poema e a sinceridade sentimental bem exposta.Parabéns :)

Abraços e tenha um ótimo domingo poeta!

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Meu amigo

Essa caneta ainda tem muita tinta para pintar telas como esta que acabo de ler e a sua alma alimenta-se de poesia e vai sempre jorrar como uma fonte.

Um beijinho com carinho
Sonhadora