quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A improvável revanche



O ano é fugaz e nos deixa sem gás

De janeiro a janeiro,

O orbe se aquece por inteiro

Com esfumaçadas trapaceadas e vigarices

Atingindo de Antonios a Clarices

Que caminham em calçadas esburacadas de sonhos

Desvirginados pelo membro rígido da realidade tarada

Que emana sexualidade barata

Em danças do ventre onde futuras mães

Carregam em seus esfomeados ventres

Uma nova safra de delinqüentes

 

Vendavais, pestes e carnavais

Alavancam os furos de balas

Que penetram pelas paredes das salas

Da psíquica paranóia que a moderna história

Retrata com entusiasmo de sarcasmo

 

“Amigos” infringem as leis dos limites

Divagando favores sem louvores

Animais humanos rasgam

As vestes outrora douradas

Das amenas noites enluaradas

 

Um caos é dissipado

Obstruindo a senda irrisória

De uma esperança que respira em aparelhos

Refletindo sua tristeza em espelhos

Petrificados de emoções encarceradas

 

Do sul europeu à Amazônia do índio fariseu

Uma brisa de terrorismo penetra

Em um jardim inadimplente de flores

Cobrando a dívida mental interna

Do matuto filosofal que interna

Em sua caixa encefálica a trágica

Mania de apenas existir

Sem questionar a oração dos domingos

Que conforta seus fúteis choramingos

 

Tudo posto

Sem voz ou rosto,

Apenas o diário desgosto

E uma solitária e ordinária

Folha pálida com uma passarela

Percorrida sem o brilho de uma aquarela

Ou um arco-íris

Que possa ser visto de uma janela

Contando no relógio

E preparando o espólio

Da vida que vai se findando

Sem nos dar ao menos uma chance

De uma improvável revanche...