domingo, 1 de dezembro de 2013

Mais uma bala perdida...


Imponente e atroz selva de calcário

Ornada por árvores de asfalto e rios de carros

Despertada pelo brado do decrépito campanário

Violentando os tímpanos de seus espécimes bizarros



Jovem estudante, cabelo aparado, vestimenta social

Carregando nos neurônios uma bolsa de eruditos valores

Parte pela agitada rua esbarrando em animais de cristal

Ouvindo a cada toque os mais pútridos dissabores



E ao tentar atravessar o cruzamento derradeiro,

Sente um cálido estilhaço o enregelando por inteiro,

De joelhos, vai esmorecendo em lágrimas púrpuras,

Já não sente mais as ambições benevolentes e puras



O olhar trêmulo vaga na caça de quem lhe deu esse destino

Inerte, assiste a morte despir seus últimos sonhos de menino

Adormecido, é velado por corvos curiosos à luz negra do meio-dia

Enquanto sua mãe prepara o macarrão que ele tanto pedia