quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O compasso e a página


Ele tornou-se um compasso

e a vida uma página

A ponta do compasso fincada no centro

da negra página com odor de morte

A cada risco,

um risco da paranóia abreviava sua história

As linhas percorridas tornaram-se

sangrentas e espinhosas batalhas

A ponta girando determinada

em ângulos trágicos rabiscando o abismo

No final da página,

o conforto enfim atingido

A ponta quebrou-se

em várias partes de desilusão

Os desenhos moldados pelo compasso

serão esquecidos e talvez até perdoados

Pela página rasgada,

órfã e úmida pelos estilhaços das lágrimas derramadas...







OBS: Poesia escrita após receber a notícia do suicídio de um amigo...