sábado, 1 de junho de 2013

Sinal vermelho



Míope em olhar e esperança

Camisa surrada, esmaecida

Pés inchados, não de criança

Criança esqueceu de ser nessa vida



As estrelas não o iluminam

O sol não o aquece

A fome e a sede o guiam

O preconceito o envelhece



Saco de balas nas mãos

Sopro de venda no farol fechado

Na oferta, uma onda enevoada de nãos

Na sua face, um mar desditoso velejado



Ao entardecer, recolhe o sonho de futuro

No bolso da bermuda, só mora o imenso furo

Trêmulo, volta para casa sem dinheiro

Em prantos, espera pela surra do padrasto farinheiro

20 comentários:

PauloSilva disse...

Por vezes crescemos e esquecemos o quão bom seria ser criança. E a dor? Essa nos acompanha desde sempre, por vezes adotamo-la como uma velha amiga... mesmo sabendo que não nos fará bem, pelo menos não estaremos sozinhos.

Belíssima poesia.

Parole disse...

Comovente a sina dessas crianças negligenciadas pelos pais e pelo país.

Como sempre belo, Evandro, apesar de triste.

Beijo.

AquilesMarchel disse...

À margem de toda rua, sem identificação, sei não
Um homem de pedra, de pó, de pé no chão
De pé na cova, sem vocação, sem convicção

O Teatro Mágico

Zilani Célia disse...

OI EVANDRO!
ALGO QUE NOS DEIXA SEMPRE, UM GOSTO AMARGO DE IMPOTÊNCIA...
BELO TEXTO.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Jota Effe Esse disse...

Até quando teremos esses dramas por todo o Brasil "grande" na visão dos políticos pilantras? Meu abraço.

aline disse...

essa realidade é realmente algo que nos incomoda e deveria incomodar ainda mais.

Franciéle Romero Machado disse...

Bela crítica feita a esse fato, infelizmente muito disso já nos deparamos em alguma esquina. A busca pelo desejado dinheiro necessário a sobrevivência acaba por tirar a parte mais importante das crianças que é a infância, quisera poder dizer que este fato poderia ter sentido somente hoje e que daqui a algum tempo as coisas mudem. Não trata-se de pessimismo meu, mas é triste dizer que essa realidade cruel a qual vivem crianças ainda vai existir por muito tempo :/

Abraços Poeta, trata-se de um ótimo poema que é atual, sincero, crítico e nos faz refletir!

Alexandra disse...

Muitos esqueceram a criança que dentro deles existe!

Alexandra disse...

Muitos esqueceram a criança que dentro deles existe!

Renato Hemesath disse...

Escrito realmente triste, mas não pode deixar de parecer-me tão verdadeiro. Na verdade, um retratao de uma realidade que não tem nada de comum ou óbvia, mas parece que é isso que acaba se tornando, para que não pensemos nestes temas.

Parabéns pelo texto! abraços

Gianna Ferri disse...

Versi commoventi, povero bimbo!

Fred Caju disse...

Me fez reler meu conterrâneo:


CRIANÇAS NO SEMÁFORO

Meninos dopados, meninos
limpadores de pára-brisas,
cercando carros, sem saberem
o que fazer com tanta vida,

carros que rosnam nos sinais
contra os da frente, mais e mais,

contra esses bandos de garotos,
camisas enormes, nos joelhos,
como uns espantalhos sem rosto;

tudo isso diante dos sóis
e dos céus, diante de nós.



Alberto da Cunha Melo

Rabisco disse...

Olá!
Esta é a página do Facebook do meu novo livro de poesia "Em Teus Olhos Seria Vida".
Gostava de poder contar com o teu "gosto" na minha página.
Obrigado!

www.facebook.com/EmTeusOlhosSeriaVida

ou em:

poesiafaclube.com/store/josé-manuel-pereira-"em-teus-olhos-seria-vida"

=)

© Piedade Araújo Sol disse...

e doí...
porque é real.

:(

Rodrigo Moura disse...

Ótimo como sempre, Evandro!
Algo que sempre comento com outros
poetas é o quanto acho difícil falar sobre
temas sociais e ainda fazer com que
o poema seja gostoso de se ler,
mesmo em se tratando de um tema
triste como este.
Excelente!!!
Grande abraço.

Anderson Lopes disse...

Cara, quanto sentimento! Grande!

Jéssica do Vale disse...

A realidade crua, em versos.

ॐ Shirley ॐ disse...

Evandro, você descreveu muitíssimo bem a realidade, a cena que vemos todos os dias. Beijos!

Heloisa Moraes disse...

Tão real que chega a ser palpável.

Jéssica Amâncio disse...

Muito muito bom! Essas crianças da qual o mundo roubou a infância. Meu último poema foi nessa linha. Linha que dói.