segunda-feira, 1 de abril de 2013

O banco da praça


O banco da praça

Cansado e envelhecido

Abriga a gorda traça

E o raquítico mendigo esmaecido



Banco solitário

Melancólico tira uma fotografia

Do rústico povo ordinário

Dissipando inveja e hipocrisia



Banco ensolarado

Pelos raios flamejantes

Ora pelos olhares quebrados

De uma miríade de retirantes



Banco molhado

Pelas gotas petulantes

Observa de frente e dos lados

A orgia drogada dos errantes



Banco em atroz abandono

Vertendo tristeza

Clama um límpido dono

Que lhe traga de volta a beleza



Banco que observa

Um desfile de risos e cantos

E mudo conserva

Seus mais íntimos prantos



Banco sem esperança

Onde sentam sem respeito

Testemunha adultos e crianças

Caindo inertes com um tiro no peito



O banco da praça

Violentado lentamente

Enxerga sem cores todas as raças

Furtando seus sonhos diariamente...

19 comentários:

Carlos Rímolo disse...

Caro amigo e poeta Evandro !!!

Muito me honrou a sua visita ao meu Blog. Obrigado pelo carinho para comigo e meus Trabalhos. Não conhecia este Blog. que é lindo e respira poesias. Seus textos poéticos são maravilhosos. Quanto a este, dispensa comentários. Lindo.
Está de parabéns. Já
Sou seu seguidor. Um lindo dia e maravilhosa Semana para você!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Beijos de luz!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

POETA CIGANO – 01/43/2013

http://carlosrimolo.blogspot.com
“Poesias do Poeta Cigano”

Obs: Estou sentindo a falta do selinho identificador
Do meu Blog. no seu espaço. Pegue-o, será uma
Grande honra para mim!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Lou Salomé disse...

Quantas historias não teria esse banco da praça para contar?...
Um abraço da nova seguidora,
Lou
PS - E o convido a reciprocar :)

Lou Salomé disse...

Quantas historias não teria esse banco da praça para contar?...
Um abraço da nova seguidora,
Lou
PS - E o convido a reciprocar :)

Lou Salomé disse...

Quantas histórias não teria esse banco da praça para contar?...
Um abraço da nova seguidora,
Lou
PS - E o convido a reciprocar :)

Felipe Terra disse...

Olá Evandro!

Confesso que há tempos não visitava seu blog.
Fico muito feliz em retornar e poder ler um belo poema como este.
Seu poema me lembra muito (não sei porque) a "Sonho de uma terça feira gorda", do Bandeira.

Enfim, criticar poesia não é o meu forte.


Abraço,
Obrigado pela visita,
E até a próxima!

Zilani Célia disse...

OI EVANDRO!
ESTE BANCO DE PRAÇA COMO OUTROS DEVE TER MUITAS HISTÓRIAS, SÃO COMO TESTEMUNHAS CALADAS E SOLITÁRIAS...
MUITO BONITO TEU TEXTO.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br

Fernanda e Leonardo disse...

Evandro, como sempre você foi maravilhoso!

Comparo o banco da praça às pessoas públicas, que se deixam em qualquer canto, instaladas à brevidade das coisas, destinadas à solidão. Pois como eu disse, são públicas. Só o que é único pode ser cativado, e com isso, encontrar a permanência, a essência.

Sobre o meu blog, está trancado por um tempo, pois resolvi dar mais atenção a um projeto maior, inclusive penso em usar alguns escritos do blog para isso. Sendo assim, vou tentar manter comunicação com as pessoas, que como você, ganharam importância para mim. Bom aprender contigo. Bom te ler. Entro em contato via e-mail, se você não se importar.

Abraços,

Fernanda

Anderson Lopes disse...

Se esse banco falasse
Diria o quanto foi capaz de ser feliz um dia...

edilaine disse...

Olá Evandro,pode não acreditar mais me emocionei com as suas palavras. Parabéns meu amigo,cada vez que leio seus poemas mais orgulhosa fico de ti!Beijos e saudades mil!!!!

Renato Hemesath disse...

Que fabuloso! Lendo esta tua produção fiquei pensando no quanto a gente como humano se coloca como "senhor da razão" tantas vezes. De outro modo, um objeto estático que obtém uma perspectiva de mundo sob outra ótica pode tanto mais saber das "pessoas sabedoras de algo" do que nós mesmos.

Novamente, parabéns pelo trabalho. Abraços

Heloisa Moraes disse...

Belissimo texto, Evandro.
Parabéns!

aline disse...

como pode, de um banco de praça, surgir algo tão bonito?

J. disse...

Eu sinto que o passo é muito curto até esse banco. Violentado lentamente, com seus sonhos furtados, inerte. Sentam-se sem respeito algum.
O banco somos nós mesmo, não é?
Por isso, você percebe.

Franciéle Romero Machado disse...

Admiro o quanto cada poema seu tem um detalhe especial, algo que só você consegue escrever, diferente de outros poemas que encontro. Essa coisa de dar vida a objetos inanimados traz algo além da nossa percepção, algo sempre ali que vivência todas as boas e tristes lembranças de um dia qualquer, de um fato qualquer para nós, mas para o "Banco" que fica ali como se estivesse a espreita vê tudo e sente tudo, porém apenas imóvel.
Poema perfeito! ^^

Abraços e um ótimo final de semana!
Bom Dia!

Fred Caju disse...

Noite passada estive até conversando sobre alguns bancos de praça com amigos. Abraço!

Por que você faz poema? disse...

Do banco da praça eu vejo a esperança dizendo adeus.

Rodrigo Moura disse...

Muito bom, Evandro!
Realmente as coisas têm memória; os
bancos de praça, as casas, os monumentos, etc,
são testemunhas da vida cotidiana.
Somente quem é observador fica
atento a estes detalhes e consegue transmitir com
muita sensibilidade suas impressões. Gostei bastante!!!
Grande abraço.

Janaina Cruz disse...

Bancos imóveis, guardando tantos segredos de todas as coisas que assistiram tão passivamente... Por quanto tempo suportarão existir? Quantas chuvas e quantos sois? Quantos adolescentes escreverão nomes em corações de amor...

Renato Hemesath disse...

Ah sim, sobre estes versos eu já havia comentado. Revisitá-lo confirma que se trata de um ótimo escrito. Penso novamente nas histórias de cada banco, mudas e inacessíveis enquanto alguém não se põe a falar ou escrever sobre elas. Boa semana! abraço!