segunda-feira, 1 de abril de 2013

O banco da praça


O banco da praça

Cansado e envelhecido

Abriga a gorda traça

E o raquítico mendigo esmaecido



Banco solitário

Melancólico tira uma fotografia

Do rústico povo ordinário

Dissipando inveja e hipocrisia



Banco ensolarado

Pelos raios flamejantes

Ora pelos olhares quebrados

De uma miríade de retirantes



Banco molhado

Pelas gotas petulantes

Observa de frente e dos lados

A orgia drogada dos errantes



Banco em atroz abandono

Vertendo tristeza

Clama um límpido dono

Que lhe traga de volta a beleza



Banco que observa

Um desfile de risos e cantos

E mudo conserva

Seus mais íntimos prantos



Banco sem esperança

Onde sentam sem respeito

Testemunha adultos e crianças

Caindo inertes com um tiro no peito



O banco da praça

Violentado lentamente

Enxerga sem cores todas as raças

Furtando seus sonhos diariamente...