sexta-feira, 1 de março de 2013

A fé dissipada...


É a mediocridade que impera...



O aborto mental vai jorrando

os fetos do conhecimento

Simplórios e frívolos seres navegantes

em mares de alienação

buscando uma calmaria mórbida



Regras de um jogo desigual!



O coração ainda pulsa

tentando irromper por uma trilha de vitória

Mas o pranto escorre vermelho,

como a bala que beija toda santa esquina

A ferida está na alma,

uma cicuta astuta envenena nossa pálida lucidez



O cansaço é latente

A face enrugada denota o sentimento

que vivemos em um mundo de anedota



A visão é turva,

nosso outrora uivo hoje é um anêmico miado

O amor é dissipado,

lentamente testemunhamos a falta de legados

A límpida beleza do saber foi estuprada

Ultrajante é render-se a maltrapilha ignorância

que vai fincando no espírito a lança da inércia



Esse cenário nos amedronta...



A guerra é inevitável,

sísmico abalo dos sentidos jocosos!

O chão é cheio de trincheiras de melancolia

decepando os sonhos íntimos do funesto dia a dia

Alcançamos o limiar da destruição

Uma morte a conta gotas!

O sol nasce perplexo

e seu reflexo evidencia a atroz constatação:



O inferno venceu a fé da oração!

14 comentários:

Heloisa Moraes disse...

Muito verídico o texto, e lamentável ao mesmo tempo.
Perfeita construção de palavras, Evandro.
Obrigada pela visita, mais uma vez, fica na paz e boas inspirações sempre.

PERSEVERÂNÇA disse...

Feliz sábado!
Forte o seu texto, porém muito real, e lógico pensar assim, parabéns pela expressão.
Abraço fraterno
Nicinha

Fred Caju disse...

Pesado. Certas temáticas merecem as palavras certas. Sejam fortes ou sujas. Parabéns!

Evanir disse...

Foi com muito carinho que levei um poema seu esta postado no meu blog junto com a Maria Luisa.
Um feliz Domingo beijos,Evanir.

Gianna Ferri disse...

Complimenti!

Buona domenica, Evandro.

Zilani Célia disse...

OI EVANDRO!
QUANDO A FÉ, SE DISSIPA DO CORAÇÃO, RESTAM SÓ PALAVRAS QUE NOS LEVAM À CONSTATAÇÃO DE NOSSA INEFICIÊNCIA PERANTE AS LUTAS QUE A VIDA SE NOS IMPÕE.
GRANDE TEXTO...
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/ClickAQUI

Rodrigo Moura disse...

Oi, Evandro!

Teu poema é completo, disse tudo
e mais um pouco de forma nua e
crua. A verdade deve ser dita e
você fez isso de uma maneira
brilhante, parabéns!!!

Grande abraço.

Janaina Cruz disse...

A sabedoria realmente necessária anda sofrendo de um câncer devastador, mas a mediocridade está com toda e plena saúde, menos a tão necessária saúde mental...
Deus nos salve da ignorância...

Sempre que venho aqui meu amigo, acabo me maravilhando, acabo aprendendo e fugindo do mundo caótico de hoje em dia.

Anderson Lopes disse...

A sorte é que o coração ainda pulsa!
Ainda...

Antônio LaCarne disse...

incrível como as coisas são, mas justo quando eu me sentia confuso em relação aos que as pessoas chamam de "fé" me deparei com esse poema.

incrível! ;)

Franciéle Romero Machado disse...

Os sentidos explorados e evidentes do poema mergulham em uma realidade mórbida, vazia e que nunca deixa de ser real.A melancolia que embala o poema traz um encanto por si só e imagens absurdas de tão perfeitas do abstrato e do real. E o seu início combinado ao real fez comparações que vão para um boa compreensão, enfim o poema todo tem essa dor e ferida cansada de estar aberta, essas decepções naturais e cansaço nítido, como se a guerra se mostrasse acima de tudo. Mas em minha mente não, sou do tipo que acredita que por mais que as más coisas ocorram ainda a fé da oração tem sua força e se anda meio oculta vai se mostrar!

Ótimo e criativo poema como todos que você escreve! ^^

Abraços poeta e um Bom Sábado!

(Desculpa minha demora, ando meio sem tempo devido aos estudos).

Fernanda e Leonardo disse...

Faz tempo que não venho aqui. Aliás, há tempos que não posto nada por causa dos meandros da minha monografia.

Não sei se a sabedoria nos salvaria da destruição. Pensar às vezes cansa e faz perder o foco inicial. Logo eu que sofro deste hábito, digo como é difícil não conseguir ser simples, ignorante. Gostaria de encontrar um equilíbrio, saber fluir como o mestre Alberto Caeiro.

Abraços! Fernanda

#*Marly Bastos*# disse...


Penso que a sabedoria poderia nos livrar desse caos humano, se e somente se vier acompanhada de benevolência, compaixão, zelo pelo outro e menos ganância. Se não for assim essa sabedoria, não passará de conhecimentos que nada valem a nós.
Um poema que traz um impacto a quem o lê, com uma nudeza social imensa, todavia não menos belo!
Eu adoro sua maneira "rasgada"
de expor as mazelas sociais.
bjks doces!

Por que você faz poema? disse...

Morrer à conta gotas
ainda é a pior das mortes.