terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A matriarca


Muito tempo viveste



em constante desarmonia maternal



Escorando-te na tênue velhice esculpida



em tua fronte enrugada



Perpetuando em frases e olhares uma discórdia visceral



Entre aqueles que pariste para te acompanhar nesta longa jornada





Protegeste em teu colo um reino semeador de animosidades



Cobrindo-o com um lençol de quentes absurdos



Humilhaste os servos que te afrouxavam



o cinto abrupto das necessidades



Ao passo que os príncipes e princesas na adversidade,



deixavam a cidade,



ou fingiam-se de mudos e surdos





Foi aí que te viste entrevada em uma cama



Teu corpo paralisado de um lado



para cumprir a pena de teu pecado



O suor escorrendo pela trilha deste negro açoite



Assustando-te com o gemido da morte



que se avizinha a cada dia e noite





E agora nesta alcova onde está aos poucos a definhar



Faça uma reflexão a cada arquejo bruxuleante



Peça perdão aos servos desprezados



que acariciam tuas gélidas mãos neste instante



Se ainda quiser ao lado direito



do teu venerado Deus logo estar

14 comentários:

Heloisa Moraes disse...

Noouss, forte esse post. Viseralmente verdadeiro.
Obrigada pela visita.
Feliz 2013, muita paz, saúde e inspirações para nós!
Deus te proteja.

Heloisa Moraes disse...

Noouss, forte esse post. Viseralmente verdadeiro.
Obrigada pela visita.
Feliz 2013, muita paz, saúde e inspirações para nós!
Deus te proteja.

edilaine disse...

Saudades meu amigo. Lindo e envolvente poema,conseguiu me fazer chorar. Feliz 2013 que Deus continue te abençoando e lhe dando inspiraçao para escrever.Bjoss

Janaina Cruz disse...

A vida não perdoa os nossos enganos pecaminosos meu amigo, ela finda cobrando muito por isso, nos ilude que esqueceu, mas não, ela nunca esquece, e definhamos a cada dia, até chegar o momento que desejamos a morte...

Sempre aplaudo teus poemas, são perfeitos!

Gianna Ferri disse...

Buon Anno!

J. disse...

Forte. Me lembrou a ideia da 'mãe madrasta' que um astrólogo conhecido costuma usar.

No fundo, eu sinto que não devo ser mãe. Acho que seria uma péssima mãe, porque não sou boa com relacionamentos que envolvem muita proximidade e dependência afetiva. Não sou boa para mim e, por consequência, acabo não o sendo para os demais. Sou boa nas amizades. Poucas, mas verdadeiras.
E, acharia muito triste ter um fim similar ao que você descreveu.
Embora eu compreenda esse post quase totalmente na condição de filha, neta, órfã... enfim.

Fred Caju disse...

Quase falando diretamente com o leitor. Aliás, quase uma porra!

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Meu amigo Poeta

Forte e profundo...um lamento e um grito.
Não tenho palavras para comentar...apenas senti cada palavra dentro da alma.
Que 2013 seja de muita paz e amor.

Um beijinho
Sonhadora

Franciéle Romero Machado disse...

O post traz em si palavras verdadeiras e fortes das quais em algum momento da vida nos deparamos com casos assim como do poema, que é um poema realista baseado no que acontece quando as pessoas cometem erros e pensam que jamais vão pagá-los, enganam-se pois os nossos pecados um dia serão pagos.

Divino poema e boa reflexão!
Sucesso!

Abraço e aguardo sua visita ^^

Zilani Célia disse...

OI EVANDRO!
UMA MÃE RETRATADA, FORA DOS PARÂMETROS DA NORMALIDADE, MAS, EMBORA DEVASTADOR E CHOCANTE, ATINGES TEU OBJETIVO, IMPONDO COM MAESTRIA TUA FORMA DE ESCREVER, NESTE POEMA.
ABRÇS http zilanicelia.blogspot.com.br/ClickAQUI://

Enigma disse...

Olá amigo querido,

Sincero, forte...
Estava com saudades! Bjs!

Enigma

Evanir disse...

Amizade, bem precioso
Que a vida pode nos dar
Tesouro muito valioso
Que ninguém consegue roubar.
A amizade verdadeira,
Não tem hora,não tem lugar.
Também não é passageira
Quando vem, é para ficar.
È assim mesmo uma grande amizade,
e eu tenho você como um tesouro na minha vida.
Uma semana rica de saúde farta de amor iluminada pela esperança
junte tudo isso e poderá sentir no seu coração .
Quanto Deus te abençoa a cada amanhecer.
Uma linda semana beijos no coração carinhosamente .
Evanir..

Parole disse...

O que tem de pessimas maes... mas ai de quem ousar dizer isso num pais onde o fato de ser mae eleva a mulher a categoria de santa...

Pela coragem e nao apenas por isso, porque na forma tb ´e excelente, adorei o seu poema.

Bjs.

Renato Hemesath disse...

Há momentos em que basta se virar um pouco para que nos encontremos com a culpa por haver decidido ser quem se quis ser, ou por alguma outra razão qualquer.

Gostei dos escritos!
www.cinefreud.com