domingo, 1 de julho de 2012

Lodaçal


Vidas aprisionadas em calabouços mentais

Ecléticas desgraças acendendo velas

Enlevos abreviados em uivos joviais

Estampados nos alvos vestidos das mortas donzelas



A escuridão beija as gélidas faces

A brisa assopra taciturnas almas

A alegria chega em poucos disfarces

Ínfima onda em um oceano de traumas



A poesia desapareceu no empoeirado porão da memória

Flores murcharam e rios secaram em um lodaçal perdido

O dinheiro reina no negro sentido da rústica história

A esperança jaz na humanidade de coração ferido



E os passos seguem na trilha do medo

Somos trêmulos observadores do final anunciado

O poeta desistiu com seus versos de degredo

O assassino triunfou com seu sangue declamado!

15 comentários:

Silvério B. disse...

Muito bom, Evandro!

Sempre admirador do teu estilo

Parole disse...

Seu poema me prendeu.Me parece que fala do processo doloroso da escrita, já que escrever é nomear e aprisionar os sentidos, para depois soltá-los no sangue derramado.

Intenso e belo.

Beijos e bom domingo.

AquilesMarchel disse...

ja li esse texto aqui antes? não?

um dai terei esse dominio de palavras, costumo ser mais direto

minha poesia esta abandonada em favor da prosa
saudade...

abraços

O poeta desistiu com seus versos de degredo

Gisa disse...

Gosto do teu estilo...
Um grande bj

aline disse...

me lembrou os meus dias, todos eles.

PauloSilva disse...

Magnífica poesia!
Muitos parabéns pela dedicação e pelo amor às palavras.
Um abraço.

Jacqueline disse...

E o que fica?
É o que fica que importa.
Deixo para você um abraço de poesia e de um nascer do Sol bem bonito, para ficar.
Bom Domingo!

Rodrigo Moura disse...

Excelente poema!!!
Mais um que vem acompanhado de sensações
que ganham forma diante dos olhos;
um verdadeiro curta-metragem gótico
projetado na tela das palavras.

Abraço forte!!!

Fred Caju disse...

Do caralho essa última estrofe.

Claudio Poeta disse...

Intenso, triste e belo trabalho, meu amigo! - Abração

Janaina Cruz disse...

Trancamo-nos junto com nossos desejos e sonhos em nossos porões mais escuros. O tempo passa consumindo a vida de todos, mais tarde só o que nos restará é reclamar do que não foi feito... Infelizmente.

Tua poesia é linda Evandro, quem me dera algum dia escrever assim.

Abraços e uma ótima semana pra ti.

Sandra Botelho disse...

Sangue que declama a vida...Bjos achocolatados

Jorge Pimenta disse...

o primeiro de cada mês é o dia da celebração da grande poesia, aqui.

abraço, evandro!

Folheto Nanquim disse...

Somos nossos proprios assassinos!
A mente seca quando se quer. E não com o tempo. Talvez morreremos jovens numa curva do caminho, mas até que não a encontre desejo piamente infestar o mundo de minha loucura. E disseminar a branda docura surreal de minha tempora.
Belo poema. È fato de que a inspiração nos usa as vezes pra zombar de nos mesmos.
Abraços

Pedrasnuas disse...

Belíssimo!!!!Parabéns!!!