sexta-feira, 1 de junho de 2012

Negra velha



Rugas delineando a impiedosa velhice

Olhos parados adoecidos pelo áspero vento

Alvos e negros cabelos mesclando a meiguice

Dos longos anos de constante tormento



Pernas definhadas e cambaleantes

Mãos vertidas de sangue pisado

Enobrecida senhora em vestimentas humilhantes

Riso pranteado, desdentado, amarelado



Lenço amarrado à testa suada

Lavadeira enxaguando a frieza do austero doutor

Zombada em verso e prosa pela prole alourada

Pilotando o fogão de lenha em obscuro resplendor



Negra velha, velho destino concebido

Corpo e alma violentados pela chibata que exala

Um pútrido eflúvio em dilúvio ensandecido

Jorrando a morte na pouca vida da abandonada senzala