terça-feira, 1 de maio de 2012

Modernidade decapitada


Fantasmagóricos fantoches vomitam violência barata pela pétrea madrugada

Chutando sonhos dilacerados em calçadas surradas de aflição

Observam a lua mórbida e vigilante atirando raios de escuridão em seus destinos

Caminham pela insanidade grotesca da paranóia catequizada pela modernidade

Lustram a lança atroz de seus eróticos demônios psíquicos

Puxam a descarga da ínfima decência que ainda perdura na face suja da cidade

Voam nas asas lúdicas de negros anjos góticos germinadores de mortes

Escalam paredes de sangue pisado fincando a eternidade de seus atos

Cravando no peito dos simples a complicada escalada

De viver um pranto contínuo em um leito de esperança decapitada

18 comentários:

PauloSilva disse...

E quem são esses fantoches descritos? Esses bandidos, salteadores de muralhas nossas. De sentimentos desencontrados? Onde estão eles bem iguais e todos diferentes? A eles, à esperança!
Abraço, meu amigo poeta.

Marly Bastos disse...

Poema forte e com um ritmo rápido na leitura, onde o homem e a sua decadência moral [e espiritual] é bem descrita. A cena que nos mostra é fácil de imaginar.
Bravo.
Beijokas doces

Silvério B. disse...

Ótimo, Evandro. Não há mais o que comentar.

Um poema atormentado, como todos os teus.

Parole disse...

Um poema vigoroso... Gostei muito.

Bjs

Rodrigo Moura disse...

Encanta-me a maneira como você
descreve a realidade social
e os conflitos humanos, Evandro.
Uma ótima análise sobre o erotismo
em contraste com o desespero.
Sensacional!!!
Abraço forte.

aline disse...

me vi em uma metrópole soturna. excelente!

Carina Rocha disse...

Olá, muito bom dia!

Peço desculpa pela minha ausência.

Muito bom o poema, humm, quem serão esses fantoches? ^^

Enquanto há esperança, vivemos!

Bjs

Elias Akhenaton disse...

Tudo já foi dito meu caro poetaamigo e com bastante eloquencia, resta-me apenas agradecê-lo pela partilha do poema e ao mesmo tempo dizer-lhe que é uma honra tê-lo entre meus seguidores.
Um lindo fim de semana pra ti envolto de muita e muita inspiração.

Forte abraço!!!

Jacqueline disse...

"Cravando no peito dos simples a complicada escalada"... Lindo trecho. Sussurro de alma sonhadora.
Pois é.
Uma bela e reflexiva construção do drama social.
Vim conhecer seu blog, retribuir a visita e agradecer por ter passado no meu canto poético à sombra da cerejeira, rsss. Venha sempre, está convidado!
Abraço de poesia e ótimo Domingo.

Patricia Galis disse...

Me senti vagando pelas ruas de uma cidade grande e obscura, parabéns muito forte o que escreve gosto disso.

Janaina Cruz disse...

Cismo que os fantoches sejam atitudes egoístas desmedidas multiplicadas pelo individualismo crescente de todos nós... Nas calçadas negligentes do querer mais pra si mesmo.

As propagandas capitalistas nos ensinam que essa é a modernidade que é assim que tem que ser, e acreditamos sempre na frase vã, de que amanhã tudo será melhor...

Ah, poeta, viajei em teus versos, me inspirei também... Perdoe-me, rs

Abraços e ótima semana pra ti

varandasazuis (ania n. lepp) disse...

Evandro, bom dia! Vim até aqui agradecer tua visita e teu carinho em meu blog, bem como, me encantar e emocionar, lendo teus escritos que calam fundo na alma...parabéns pela intensidade com que versas!

abraços,
ania...

Sandra Botelho disse...

Forte e visceral...Amei. Bjos achocolatados

Folheto Nanquim disse...

Obrigado pela visita, vi que sua catastrofe mental permeia o surrealismo. Algo tao saboroso no Folheto Nanquim, ainda assim dei sorte de ler uma poesia que produz tanta comunhao com meu mundo. Obrigado pela morbidez surreal e do tino artistico.

Jorge Pimenta disse...

a imagem da esperança decapitada esculpe trilhos de breu sobre os muros da existência, onde deus é sempre alguém que adormece no interior da dor dos seus filhos.

abraço, evandro!

Fernanda Curcio e Leonardo Macedo disse...

Gosto da abordagem crítica dos seus poemas.Fantoches, seres que não conseguem ser autônomos, levados pelo veneno do mundo a coisificar o que o homem tem de melhor, a mente.São usados pelo externo, logo, não conseguem ser "pessoa".

Fernanda

AquilesMarchel disse...

mt poesia marginal anos setenta
mas um pouco mais rebuscado


virei seu leitor sempre q estou blogando


isso se encaixa na noite paulistana
onde marginais e cheiro de sangue se confundem

Franciéle Machado disse...

Diferente é a sensação que as palavras podem nos trazer e é isso que fez seu poema do qual realmente me impressionei não só por achar bem realista, gosto bastante desse realismo que nutre seus versos e esse drama real que enriquece sua poesia e sim também por debater esse tipo de crítica social, falar abertamente dos problemas cotidianos, do drama que muitos nunca percebem. De fato pensamos que isso é algo óbvio, sim, mas muitas vezes mascarado no nosso dia a dia sonhador. Infelizmente muitas pessoas vivem como verdadeiros fantoches nesse mundo e nem sabem.

Sem palavras, sempre perfeição em versos. Sou sua fã!

Abraço poeta. Boa Noite!