domingo, 1 de abril de 2012

Filhos da guerra

Mísseis ecoam rubros em faixas e territórios
Rabiscando diariamente o outrora céu de brigadeiro
Vertendo uma terrível miríade de velórios
Esmagando paupérrimas famílias por inteiro

Derrubam homens como uma brincadeira de dominó
Um a um se escorando no chão esmaecido por desgraças
Prosseguindo em uma peregrinação sem dó
A um deserto sombrio habitado por todas as raças

Oh! Natureza, tu que a seus filhos deu a dádiva da vida
Embalando-os em majestosas santidades
Atesta a incessante atitude suicida
Louvada em uma estadia de gélidas felicidades

Guerras de tanto tempo, é até desprezada a história
Pelos “deuses” dos altares, templos e palácios dourados
Recomendando uma grande medalha no peito para honrar a memória
De suas “crianças”, ornadas pelos buracos dos sonhos roubados

16 comentários:

edilaine nalesso disse...

Olá meu amigo
Lindo poema,o pior pesadelo de alguém é ter seus sonhos roubado. Sempre dou uma passadinha para ler seus poemas.
Até a próxima,Beijos!!!!

PauloSilva disse...

E os sonhos são tão reais que chegam a doer, a tocar no fundo da alma. A rasgar os céus de cores desconhecidas e planos não traçados.
Natureza da vida, o que é? Para onde vamos e porquê?
Belas palavras. Profundas, sentidas, verdadeiras.

Abraço.

Marly Bastos disse...

Evandro,
Adoro suas poesias, esse cunho que dá a elas, ao mesmo tempo de uma realidade crua, há um aconchego social que faz a gente vibrar.
Essa é a máscara gentil da guerra que tapa a cara horrorosa que ela realmente tem.Rouba-se os sonhos,
dá-se medalhas de honras.
Beijokas doces

Rodrigo Moura disse...

Sem sonhos o ser humano vive como
um morto-vivo. A guerra e a ambição
causam danos irreparáveis na vida
daqueles que passam por ela.
Lindo poema, profundo e reflexivo.
Novamente, meus parabéns!
Abraço Grande

Adriana Karnal disse...

Evandro,
a poesia, assim, dura, é o que a gente reluta em admitir-

aline disse...

evandro, eu adoro a forma como você compõe seus versos. parabéns pela primor e cuidado com as palavras sempre.

Janaina Cruz disse...

Há apenas uma espécie de gente que a guerra não rouba: Os senhores da guerra, aqueles que a arquitetam e põem em ação, os demais sempre padecem...

AquilesMarchel disse...

obrigado pelas visitas sempre bom ter alguem participativo
nao consigo escrever poemas como este acima
talvez me falte ainda pleno dominio de palavras
sou mais direto, vocabulario menos extenso
mas todas suas palavras me fazem lembrar de uma musica do engenheiros do hawaii "com a coragem que a distancia da, em outro tempo e em outro lugar"

nenhumk motivo explica a guerra não é mesmo?

Jorge Pimenta disse...

o sangue escorre entornado pelo medo, pela ganância, pela indiferença que abre os peitos, adiando o sentido primacial das coisas. e os sonhos desprendem-se como gotas de orvalho em manhã fria...

abraço, evandro!

MJCorrea disse...

E neste mundo
em que homens
derrubam homens
como brincadeira de dominó
me firmo na tua sensibilidade
talvez só
pra manter a esperança
de um cotidiano melhor

Fred Caju disse...

E eu aqui acabando de ler o Hobsbawm falando da Guerra Fria...

castanhamecanica disse...

Saudações quem aqui posta e quem aqui visita.
É uma mensagem “ctrl V + ctrl C”, mas a causa é nobre.
Trata-se da divulgação de um serviço de prestação editorial independente e distribuição de e-books de poesia & afins. Para saber mais, visitem o sítio do projeto.

CASTANHA MECÂNICA - http://castanhamecanica.wordpress.com/

Que toda poesia seja livre!
Fred Caju

Franciéle Machado disse...

Quando leio seus versos sinto que posso percorrer todos os lugares do tempo, ir além das palavras. Como sempre descreve cotidianos, alguns mais comuns, outros que existiam e outros que ainda permanecem...isso é mágico!
Parabéns poeta!

Abraço e uma Boa Noite!

Fernanda Curcio e Leonardo Macedo disse...

Enquanto o homem for matéria haverá guerras exteriores e interiores.A matéria é fraca, e o nosso mundo de ódios avançados, muito desatualizado para a nossa tão antiga alma...

Belo poema!!

Fernanda

Vanessa Souza Moraes disse...

Guerras cotidianas.

Jacqueline disse...

Triste tema, linda construção poética. Aplausos para sua expressão e tanta entrega!
Abraço de poesia.