quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Céu


Céu de brigadeiro, paraíso enigmático
Infinito e anilado bálsamo almejado
Pilar de paradoxos apelos temáticos
Silêncio ora aterrorizante, ruído ora abençoado

Costurado por cordões de algodão
Colorido por relâmpagos de fogo
Alento do errante em derradeira oração
Defronte à negra cortina que fecha a janela do jogo

Degraus ornados por “corrimões miraculosos”
Morada imaculada descrita nos pergaminhos
Semente germinada pelos pais nos campos esperançosos
Da trilha “correta” dos decentes caminhos

Céu amado em estridentes e doentios louvores
Salvador da turba agraciada pelo medo
Triste, chora com sangue e destila horrores
Punindo-os por seus bárbaros atos de arremedo

Céu de brigadeiro, será verdadeiro?
Ou uma ilusão? Ou um desvario?
No fim, dar-lhe-ei um crédito, minh’alma por inteiro
E a fé que nunca tive nesse mundo sombrio...