sábado, 1 de outubro de 2011

Insanidade!



Insanidade!
Insanidade!

Insanidade cozinhando no fogo alto da cidade
Fogo exalando de peitos abertos por um terremoto de morte
Anjos infantis sem auréola e à mercê da indigna sorte
Fogo de mil faces fúteis vaidosas
Concretos afugentando rosas
Solitários servos do tempo modelador de artérias entupidas
Arranha céus cuspindo fogo e arranhando o céu
de outroras nuvens alvacentas
Efêmeros espasmos de felicidade

Na freada brusca do semáforo mental,
balas saltitantes nas mãos dos esfomeados retirantes
Ondas lancinantes em asfaltos de oceanos lacrimejantes

Insanidade!
Insanidade!

Pessoas cruzando...
Cruzando nas calçadas empesteadas de crias não alfabetizadas
Moribundos desnudos e imundos
Automóveis rasgando obstáculos humanos
Vento frio em calorosos submundos nefandos

Marias aditivadas de gasolina prostituída
chupando a alma enfeitiçada e destruída
de porcos castrados de auto-estima verossimilmente poluída

Risos raros
Altruísmos caros

Pastores olhando para o céu
e jorrando a hipocrisia santa ao léu
Ternos modernos seqüestram inocentes subalternos

Vem Senhor!!!
Vem Senhor!!!
Vem Senhor!!!

Soltam o brado feroz,
Laçam a amarra que prende o povo
para que não voem como um albatroz
Libertam os fiéis da aberta alcatraz?
Clamam uma utópica e órfã paz?

Blindam de discursos baratos os soldados insensatos

Insanidade!
Insanidade!

Penumbra no futuro
Intransponível muro

Correria!
Insanidade!
Correria!
Insanidade!

Rastejando pelas sarjetas diárias
Observando as medievais odisséias
de sobrevivência incendiária

Esticando a máscara de palhaço ofertada
E os neurônios ramificados em floresta mental devastada

E a prece de calmaria solicitada
é escuramente e insanamente refutada
na lança que dança no coração em prantos do devaneio
reproduzido no espelho estilhaçado da alma cansada

Um rádio imaginário toca nos tímpanos surdos
e o despertar já não mostra-se mais belo
ao observar o triste sol
nesses contemporâneos amanheceres de absurdos

17 comentários:

Maahry! disse...

Obrigada pelas palavras lá no Blog, fiquei muito feliz com sua visita por lá...
Quanto ao poema..
Parabéns, retrata a realidade nua e crua, que muitos tampam os olhos para não ver e os ouvidos para não ouvi-la.
Uma total Insanidade!
Ótimo Fds!
Bjoo..♥

Marly Bastos disse...

Evandro,
Encanta-me a sua poesia desnuda, com palavras rebuscadas e fáceis. Esse poema mostra a realidade desse mundo cão em que vivemos, que as vezes passa tão despercebido aos nossos olhos.
Poetaste as mazelas sociais de forma realista, mas com palavras que nos prende nos versos.
Beijokas doces e um fim de semana maravilhoso pra você.

Michele Santti disse...

Delícia, delícia. Adorei.

Bjs, ótima semana.

Luna Sanchez disse...

É desesperador mesmo, Evandro, o mundo está de pernas pro ar!

Um beijo.

Camila Fontenele disse...

Insanidade tem forma, nome, cor. Somos nós!

Um beijo ;*

ღ Sensitivity ღ disse...

Obrigada pela sua visita. Adorei o poema. Beijinhos.

Enigma disse...

Olá Evandro,

Um poema que percebe o mundo celerado, triste e sem esperança (totalmente descrente). Um beijo no coração. Kiss!! Kiss!!

sidnei olivio disse...

Caro poeta, obrigado pela presença no "proseares" e pelas palavras lá deixadas.
Evandro, impressionante sua poesia. Profunda, visceral, como a do Benny. Acho que vcs são únicos na net.
Grande abraço.

Rogério disse...

muinto bom

Poesias-Franciéle R.Machado disse...

Quanta emoção sua poesia de várias faces e que nos leva a ver nas linhas coisas que passam despercebidas muitas vezes...Mas sentimos sempre isso nos cantos por quais passamos.Ser poeta é muito mais do que escrever as coisas comuns do dia e sim escrever o que você escreve, até palavras não muito poéticas, sem apenas o lado belo, quero um dia escrever algo desse tipo. Gosto muito de poesia assim, como sempre surpreendendo. Já li outros poemas seus e estão sempre maravilhosos.

Abraços! =D
Bom Dia.

Adriana Karnal disse...

mas a poesia é absurda...a poesia corrompe a língua, a poesia é o insano em si.

Jorge Pimenta disse...

ode à loucura com um ritmo visceral que se nos aloja sob a pele, erguendo inferno e afogando édens mentidos.
admirável!
um abraço!

Nuvembranca disse...

Rezemos,...... Parabéns.

Rodrigo Moura disse...

Realmente o mundo gira em torno da Insanidade...
Excelente!
OBS: Estou te seguindo também! Abraços.

Fátima disse...

Oi Evandro,

E essa insana sanidade fervendo e alagando tudo pela cidade.
Teu texto e visceral e real.
Gostei muito.

Beijo meu

MJCorrea disse...

Esse teu poema é uma instigação ao suicídio. Diante da dolorosa realidade que, por mais que façamos, não conseguimos mudar.
Parabéns pela sensibilidade.
Te beijo.

Rafael M. disse...

Ótimo poema! Até a forma como foi escrito é bem pensada - Dá certo desespero ao ler. Textos bons são como este: que mexem com o leitor.

O blog tá bem bacana, continue assim!

Abraços!