segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A lua



Surge enigmática no fastígio do céu estrelado
De início tímida, bela e altiva dama
Tecendo em linhos dourados seu véu engalanado
Vestindo a turba terrestre, paradoxo em alegria e drama

Seu olhar largo em claridade acolhedora
Rasga em linhas insólitas o planeta em suas léguas
Escondendo uma angústia taciturna e sofredora
Ao testemunhar queda, as barbáries sem tréguas

Flutua levemente sobre mares, montanhas e ruas
Conjugando o verbo amoroso dos poetas solitários
Romântica sonhadora em ainda colher canduras
Nos jardins de asfalto ornados por lírios sanguinários

Ainda continua seu trajeto, nem o pranto a esmorece
Finda a madrugada e recolhe-se em nuvens de travesseiro
Descansa sua alma em louvor a mais um dia que amanhece
Para que este a presenteie com um despertar alvissareiro