terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Serrana tragédia insana

Rio inóspito de jubilosas esperanças
Escombro solitário ornado de corações pranteados
Ouve os intermitentes sussurros das maltrapilhas crianças
E a dor sangrenta dos adultos moralmente esquartejados

Vê o rastejar de almas esmaecidas e pisoteadas
Pelos passos sujos e obscuros da impunidade
Clamando ao céu uma pausa de suas bárbaras trovoadas
E ao sol um sorriso duradouro iluminando os restos da cidade

Vê farrapos de ossos perdidos sem palpáveis horizontes
Emoldurados em exposição escura da rústica vida
Velando suas memórias em fotos reproduzidas nas frontes
Estilhaçados fantoches dançando na terra carcomida

Rio de desprovido povo digerindo o alimento da morte
Servido frio pelo atroz sopro do temido vendaval
De joelhos, evoca a seu Deus um pouco de sorte
Enquanto os abençoados requebram seu desprezo no carnaval...