sábado, 3 de abril de 2010

Até quando...

Floresta urbana
Efemérides insanas
Estilhaços enluarados
Espólios ensolarados
Languidescência cobrindo o nirvana

Fragor da brisa epilética
Solitários ganidos
Esfomeados vagidos

Arrabaldes soturnos
engendram lúcifers contemporâneos
Despertando reis adormecidos
em asfixiados sonhos esmaecidos

Juventude e inquietude
Atrativas latitudes

Jaquetas de couro
Olhares rubros e hipnotizados
Coleando e sibilando perigo
em busca de ouro

Pirilampos motorizados
Piscando a morte
em rasantes embriagados

Espécimes regozijantes
e malévolas
Rostos angelicais
descartando auréolas

Terra rasgada
Abrigando em seu ventre
Sussurros feridos
de sobrevivência enevoada

Pais espavoridos
entregam-se à fé acesa
disfarçada de vela
sobre a mesa

Filhos raivosos
dissipando vertentes delinquentes

Rompendo cada barreira vil
libertinos discípulos
do desregrado cio

Celebrando esta farta ágape em júbilo
brindada por baganas, garrafas
e o microponto amarelo

Selando as regras do jogo
disputado nos tabuleiros
de seus cerebelos

Regressam agora,
ao cabo desta confluência ceitil
arrastando pesados arrependimentos

observando a flamejante
abóbada anil
que germinada pela Lua
e pelo Sol

atesta em um único pranto duradouro
que seu belo cosmos outrora vindouro
hoje é um transcedental
e eclético matadouro

Até quando?