sexta-feira, 19 de março de 2010

Rosas e lírios

Rosas e lírios presentes
Ao redor desta tumba velada
Ornando as orações de seus entes
Vertendo prantos nesta noite enregelada

Um pranto insistente e arrulhado
Retratando tristeza em suas frontes
Relembrando vívidos sonhos do passado
Jorrando límpidos como água das fontes

Passos suaves são dados a esmo
Tentando para este momento, vãs explicações plausíveis
Estudando ao lado, as mais diversas reações sensíveis
Chegando à conclusão, que não adianta mesmo

E neste passo trevoso e perturbador
A morte arranca nossa lucidez
Indigesta e egoísta, não liga para nossa dor
Rindo de nossa tênue palidez

Mesmo assim, o pranto é por mim solto devagar
Entregando-te ao teu riso, ó negra senhora
E o amigo que pede para eu ir embora
Inerte, segura as lágrimas por vergonha de se entregar