sábado, 6 de fevereiro de 2010

Lunático

Parte o lunático...

Vestido pela íntima solidão
Duelando com as sombras do passado
Ruas são labirintos de fogo
aquecidas por cobertores de ossos
Árvores são testemunhas
e suas folhas espiãs
brincando entre os galhos da madrugada

Morcegos voam
entre rasantes tentativas de alegria
Cães ladram
a fome angustiada dos mal-nascidos
Gatos esquartejados nas autovias
e seus cérebros pisoteados
pelos carros rumo ao sul

Parte o lunático...

O riso mórbido como guia
Abre-se uma fenda na abóbada
Raios selvagens estupram
as estrelas donzelas
e elas derramam pelas nuvens
lágrimas vermelhas
Como o gozo de um vinho barato
sobre o solo poeirento da cidade

Parte o lunático...

Em sua hipnótica caravela
Velejando pelos prolíferos mares da loucura
A lua a beijá-lo
Uma tempestade de anseios
derramada em pernas e seios
entrelaçando as veias pulsantes dos desejos
Filho do deleite
Em uma colheita
de douradas novidades
Caminhando pelos campos antes inóspitos
A música refletindo
o erótico flerte
da vida com a morte

Espasmo

Açoite

Finda mais uma luxuriosa noite
ao ser atravessada
pela espada flamante
do divino crepúsculo
E o lunático retorna...

ao seu frio reino de tijolos à vista
Pedindo em seus credos de arremedo
para a alma uma benção
e para o corpo um esteio
quando a amante embriaguez se foi
e a esposa ressaca veio!

11 comentários:

Fabio Rocha disse...

Muito bom esse poema, cara! Parabéns!

Mariana Botelho disse...

Evandro,

bem vindo ao suave coisa. prazer em receber sua visita lá. sempre bom trocar figurinhas com amigos da palavra.

um abraço.

Samuel Pimenta disse...

Gostei! Muito!
Parabéns pelo livro!

Um abraço,

Samuel Pimenta.

Fábio Cassimiro disse...

Olá Evandro!
Deixe eu publicar um poema seu no Abacoros !

Um grande abraço!

Sylvia Senny disse...

complexo o poema. O livro parece ser muito bom!
Bem vindo á literatura brasileira.
saudações literárias.
Sylvia Seny

Anônimo disse...

Salve meu querido gostei do seu blogger também. Ah e achei bem legal seu nome Mezadri parece nome de mafioso tipo Don Corleone, Don Barzini, Tattaglia.

Axé Don Mezadri

Robson Canto

Wilson Guanais disse...

olá, passando pra conhecer o espaço, eu volto.

abraço.

carmen garrez disse...

Olá Evandro !

Bem-vindo ao meu blog, quero agradecer sua presença e comentário, lembrar Tarcila do Amaral é um grande elogio !
Parabéns pelo seu livro e muito sucesso em sua arte !!!

Carinhoso abraço

Nydia Bonetti disse...

Oi, Evandro. Vim agradecer a visita ao Longitudes e gostei muito da tua poesia. Estarei por aqui. Abraço!

Andrea de Godoy Neto disse...

Oi, Evandro
passei para te conhecer e retribuir a visita. Gostei muito dos terus poemas, este então, complexo, denso...muito bom. Parabéns e muito sucesso pra ti.

um abraço

Jozé Amorim disse...

Olá Evandro, Curti o teu blog, teus poemas são carregados de imagens. É bom saber que você é um poeta militante, pois participa de saraus e não deixa seus poemas trancafiados nas gavetas do medo.

Um forte abraço,
José Luiz Amorim