domingo, 13 de janeiro de 2008

É natal...

22:00
24 de Dezembro
Família reunida
A mãe (minha avó) com sua fraqueza
na cabeceira da mesa
suspirando mais um momento materno
em sua vida

Rodeada por coxinhas,
kibes e empadas
Chorando ao relembrar
o tempo duro das enxadas

Mas os filhos,
noras e netos
não prestam atenção
Eles preferem um mórbido método
de diversão
“Um baile de fantasias”
Os filhos (meus tios) vestem máscaras
e bailam pela casa

A valsa da falsidade os conduz
até a celebração do nascimento
do menino Jesus
O salão é escuro
cegando a raça e alimentando
invejosos pensamentos

Os risos são fáceis
Seus dentes são presas afiadas
O enredo é o mesmo,
tapinha nas costas,
piadas sem graça e cervejas geladas

As noras (minhas tias)
são marionetes de seus maridos
Pescam informações
Plantam discussões
Semeiam confusões
Os netos (meus primos) são lamentáveis,
sem cultura,
falsos burgueses,
mimados e irritantes
não sendo sombra
de seus retratos com dez anos de idade
pendurados nas estantes

00:00
25 de Dezembro
É natal!
Todos riem,
choram,
se abraçam e comemoram!

Depois da festa,
bêbados e satisfeitos pegam seus carros
e saem pelos cantos
E a mãe fica novamente sozinha
relembrando na cozinha
o tempo duro das enxadas
com uma pia imensa de imundas louças
a serem lavadas

E eu?
Ainda bem que não participo mais desta heresia
Prefiro ficar em casa escrevendo poesia