sábado, 30 de julho de 2016

Despedida...

Olá pessoal!


Estou encerrando as atividades do blog Lunático.


Gostaria de agradecer a todos os meus seguidores pelos anos de convívio e trocas de experiências.


Quem quiser continuar partilhando de minhas poesias, visões sociais e políticas, sigam-me no meu facebook: Evandro Mezadri.


Abraço,


Evandro L. Mezadri

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Aposentado alienado



Simétrico e anual itinerário
Glorificado em oração dominical
Respeito ao estuprador horário
Açoitando sua paz matinal
 
Anos de obediência servil
Ouvindo um escárnio gerencial
Mantendo a fronte varonil
E a alma com tristeza torrencial
 
Duelando com o tempo ainda amigo
Insistindo no terror do excesso
Temendo chegar ao jazigo
E não ser lembrado pelo sucesso
 
Enfim, a morte o dispensou da lida
E o seu império finalmente desfrutado
Pela viúva esposa, exalando o odor da vida
Ao pagar os préstimos do jovem namorado!








quarta-feira, 1 de junho de 2016

Vermes





Civilização austera em arrogância

Semeada em campos ciumentos

Colhendo flores de hipócrita fragrância

Poluindo o céu com seus espinhosos ventos

 

A decepção é perpétua e profunda

Germinada nessa urbana selva taciturna

Com tristeza nos rasga e inunda

De escuridão em aprisionada furna

 

Quero livrar-me dos répteis indesejáveis

Alegrados por fartos risos irônicos

Vermes destilando venenos lamentáveis

E servindo-me em prantos agônicos

 

Não acariciem minha humilde pessoa

Em suas convenções corrompidas

A minha paz tortura-se e voa

Com ensangüentadas asas feridas

 

E no aguardado momento derradeiro

Não ousem rodear minha sepultura

Deixem-me sair calmo e por inteiro

Deste orbe de amizades impuras

domingo, 1 de maio de 2016

Encenação


Fulgurantes gladiadores modernos
Empunhando suas armas de papel
Clamando uma imaculada proteção ao céu
Para não amassar o nobre linho de seus ternos

Seus patrióticos lábios destilam fel
Hipócritas frases dançam ao vento
Faces tristes ornadas de lamento
Seduzindo a turba tal galanteador menestrel

Apontam o límpido caminho certeiro
Em suas circenses performances venenosas
Impõem-se em rústicas parábolas asquerosas
Da bíblia do diabo, glorificada de janeiro a janeiro

Egoístas seres que ferem o arco-íris e o empalidece
Sombrios assassinos dos amanheceres alheios
Calem-se! Devolvam-nos o sorriso de nossos devaneios
E o dócil silêncio, nossa ditosa e bendita prece!

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Apenas mais um dia...


A pólvora cotidiana acendeu o estopim humano
O sol está arrefecido
e sua orquestra de raios ferida
A lua derrama lágrimas estelares
em céu de rugas cinzentas

O homem rasga seus trapos de sonhos
e veste um paletó de linho mesquinho
ornado por gravata de opaca elegância

Uma visão rústica fere as pupilas dilaceradas
pela brisa que embarca em uma arca sem fé
uma tripulação de rastejantes
fantoches brancos e negros

Uivos internos ecoam
pelas veias saltitantes
silenciando as bocas imóveis e pintadas
com os batons da opressão

O caminho é esburacado
e deve existir no final um troféu

O pranto nos hipnotiza
em mórbidas expectativas ao partir
atreladas em angelicais e satânicas tentativas
de encontrar o poetar metrificado
do santificado sorrir...

terça-feira, 1 de março de 2016

Peregrinação ao diabo


Você conseguiu...
Terminou a universidade
Chorou como criança na igreja
Atingiu o ápice da insanidade
Provou para o vizinho sua capacidade

Sua rotina foi um roteiro,
fome,
sede,
cansaço,
 sujeira

e os tímpanos funcionando como bueiro

Ai quanta lameira...
Foi um servo obediente
Todo dia respondendo presente
Anotando ditados da incerteza
Ouvindo os mestres gordos
e suas pompas de realeza

Paredes brancas aprisionando o espírito
Lavagem cerebral jorrada
a cada controverso texto escrito
Comprou livros antiquados
por seus conservadores escritores venerados
Investiu toda sua grana na grama
Pensou em um copo de cerveja
a cada novo diagrama
Atrofiou sua mente por cinco anos
Ficou decorando
inúteis questionários pelos cantos
Esqueceu os velhos amigos
e os papos interessantes
Adequou-se ao comportamento fútil
dos ricos repugnantes
Trocou o livro de poesia
pela conversa com a loira vadia
Trocou a política do Senado
para cobiçar o corpo do jovem bombado

Trocou o bom e velho Rock’n Roll libertador
para adentrar as fétidas orgias
da cultura sem valor

Trocou a boa e velha pesquisa elaborada
por um mero botão de uma máquina
extremamente viciada

Ai que saudades da leitura...
cada linha era a porta
para uma nova aventura

Mas você conseguiu...
Vendeu a perturbada alma ao diabo
Alimentou de ambição seu coração alucinado
Passou por cima de tudo e todos
Transformou-se no tão sonhado gerente

Engomado
Enfartado
Uma mulher acorrentada em casa o dia inteiro
Uma amante para gastar todo o seu dinheiro
Um filho esquecido e desprezado
Futuro delinqüente

Seus melhores amigos...
Celular
Computador
Com quem falará
no momento da dor?

Mas você conseguiu... pode crer
Beijou o prazer íntimo do poder
Descartou pessoas
como quem descarta um animal
no momento de morrer

Diariamente
a maravilhosa humildade do viver
foi abortada pela triste arrogância
do fazer sofrer

Mas tudo valeu a pena...

Conta bancária grande
Pureza da alma pequena
Lista grande de lugares visitados pelo mundo
Lista pequena de amigos
e um grande vazio no fundo...

Mas tudo valeu a pena?
Claro, pois você conseguiu...
Você conseguiu...
Você conseguiu...

Você conseguiu o quê mesmo?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Diário de um viciado


O sangue escorria quente pelas minhas narinas
como as lavas de um vulcão
entrando em erupção

Uma cachoeira vermelha lavava as poeiras
do chão de meu quarto
O suor era o retrato do meu medo
lambuzando o rosto,
digo, esta amassada máscara

Insanos calafrios
Pálpebras agitadas
seguiam o compasso doentio da insônia
Minha boca molhada
com a saliva da morte que se avizinha

Um exército de demônios
me conduz a uma dança em um círculo de fogo

O quarto parecia encolher a cada minuto
me encurralando em um canto escuro
Luzes eram descargas elétricas
irrompendo minha pele debilitada
e maltratada por mim mesmo
Todas as posições são inimigas

Deitado
Sentado
Em pé
Meus tímpanos ouviam irritados
 as alegrias das ruas
Canções idiotas expressas
pelos embriagados andarilhos noturnos
Latas chutadas
como uma bola de futebol

São três,
quatro,
cinco horas da madrugada
E eu chapado
aguardando uma nova alvorada

Nada mais me importa
do que manter-me vivo
Os arrependimentos dão sinais de seta
tentando ultrapassar
os momentos descontraídos do vício

Há um espelho onde me enxergo,
Os restos que ainda me sobraram
O reflexo de um saco de lixo humano
fedendo a destruição

Deve existir algo mais nobre
 que essa luta desigual
Vou seguir em busca da minha real existência
nesse estranho mundo

Hoje consegui me manter vivo
Amanhã não sei...